Resposta curta
leitura de introdução · sem termo técnico
A cirurgia consiste na implantação de eletrodos próximos à medula espinal, conectados a um gerador de impulsos elétricos. Os eletrodos ficam no espaço epidural, dentro do canal vertebral e sobre a dura-máter, a membrana que envolve a medula. Eles não são inseridos no tecido medular. O gerador, responsável por fornecer energia ao sistema, geralmente fica sob a pele, no abdome, no flanco ou na região superior do glúteo. [1,2]
Estimulação epidural
O gerador
O cabo e o eletrodo
Camadas
Vista explodida
Espaço epidural
Corte transversal
Estimulação
O posicionamento dos eletrodos depende da anatomia, dos exames de imagem e do objetivo do tratamento. Para favorecer movimentos das pernas, os protocolos de estimulação epidural motora costumam posicionar os eletrodos de modo a alcançar a região lombossacra e as raízes posteriores relacionadas aos membros inferiores. Por isso, o local do implante não precisa coincidir com o local da lesão. [2,3]
Os eletrodos também podem ser posicionados na região cervical, com o objetivo de modular circuitos envolvidos no controle dos braços e das mãos. Eles permanecem no espaço epidural, próximos à medula cervical, e não são implantados diretamente no plexo braquial, que é uma rede de nervos situada fora da medula e relacionada aos membros superiores.
A estimulação epidural cervical tem sido estudada em pessoas com tetraplegia. Em um estudo com dois participantes com lesão cervical crônica, houve aumento da força de preensão e melhora do controle voluntário das mãos durante a estimulação. Os eletrodos foram posicionados na região cervical; um participante recebeu uma placa epidural permanente e o outro utilizou eletrodos percutâneos temporários. A amostra pequena e o caráter experimental do estudo não permitem garantir o mesmo benefício para outros pacientes. [4]

A forma de introduzir os eletrodos varia conforme o dispositivo, o objetivo e o protocolo cirúrgico. Sistemas de estimulação medular podem utilizar eletrodos percutâneos, introduzidos por agulha com orientação por imagem, ou eletrodos em formato de placa, que normalmente exigem uma abertura cirúrgica, como laminotomia, para acessar o espaço epidural. Nos protocolos voltados à recuperação motora após lesão medular, são frequentes os eletrodos em placa e a fixação cirúrgica; a técnica escolhida é definida pela equipe médica. [1,2,4]
Durante a implantação, a fluoroscopia ou outros exames de imagem ajudam a orientar e confirmar a posição dos eletrodos. Em alguns protocolos de estimulação motora, registros eletrofisiológicos e respostas musculares também são utilizados para avaliar a sequência de ativação e ajustar o posicionamento. Depois, os eletrodos são fixados e conectados ao gerador por cabos que passam sob a pele. [2]
No sistema totalmente implantado, o gerador permanece sob a pele. Um controle externo pode permitir o uso dos programas e parâmetros disponibilizados pela equipe, mas os ajustes devem seguir as orientações médicas e do protocolo de reabilitação. Após a cirurgia, são necessários cuidados com a cicatrização e acompanhamento do sistema. A equipe define quando iniciar ou progredir os exercícios e como ajustar a estimulação. O implante é uma etapa do tratamento: a programação voltada ao movimento precisa ser integrada à reabilitação e adaptada às respostas observadas. [2,3]
Como todo procedimento cirúrgico, existem riscos, incluindo infecção, sangramento, hematoma, dor, deslocamento dos eletrodos e problemas no dispositivo. Durante a reabilitação, também é necessário considerar riscos musculoesqueléticos, como fraturas em pessoas com alterações de densidade óssea. Esses riscos, as restrições iniciais e os cuidados após a cirurgia devem ser discutidos com a equipe médica antes da decisão. [1,2]
03
A partir daqui o texto é técnico e referenciado. Escrito para fisioterapeutas, médicos e estudantes que precisam da evidência, não do resumo.
↓ para profissionais de saúde
leitura aprofundada · conteúdo referenciado
Johns Hopkins Medicine. Spinal Cord Stimulator. Atualizado em 20 mar. 2026. Disponível em: Johns Hopkins Medicine — Spinal Cord Stimulator. A página descreve principalmente o uso da estimulação medular para dor e serve como referência geral sobre os componentes e a implantação do sistema.
Boakye M, Ball T, Dietz N, et al. Spinal cord epidural stimulation for motor and autonomic function recovery after chronic spinal cord injury: a case series and technical note. Surg Neurol Int. 2023;14:87. doi: 10.25259/SNI_1074_2022. PMID: 37025529. Texto completo: PMC10070319.
Rowald A, Komi S, Demesmaeker R, et al. Activity-dependent spinal cord neuromodulation rapidly restores trunk and leg motor functions after complete paralysis. Nat Med. 2022;28(2):260-271. doi: 10.1038/s41591-021-01663-5. PMID: 35132264.
Lu DC, Edgerton VR, Modaber M, et al. Engaging cervical spinal cord networks to reenable volitional control of hand function in tetraplegic patients. Neurorehabil Neural Repair. 2016;30(10):951-962. doi: 10.1177/1545968316644344. PMID: 27198185. Texto completo: PMC5374120.
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