Estimulação epidural após lesão medular há 15 anos: a trajetória de reabilitação de Deise

Briefing da lesão

Deise sofreu uma lesão medular traumática em nível torácico, entre T5 e T6, após ferimento por arma de fogo em setembro de 2010.
Conteúdo em revisão clínica. Este texto ainda precisa ser revisado e aprovado pelo responsável técnico antes de ser considerado definitivo.
Fase 1

Como foi a reabilitação de Deise após uma lesão medular?

Em 2024, após anos de preparação física e reabilitação neurológica, Deise realizou o implante de um estimulador epidural. Na primeira sessão de configuração, apresentou controle motor voluntário para extensão dos joelhos. Atualmente, segue em reabilitação com foco em postura em pé, controle motor, independência funcional e treinamento de marcha.

Este relato apresenta a experiência individual de uma paciente. Ele não representa promessa de resultado nem permite prever a resposta de outras pessoas com lesão medular.

O que aconteceu na fase inicial do trauma?

Em setembro de 2010, Deise foi vítima de ferimento por arma de fogo no tórax. O quadro inicial exigiu atendimento emergencial, cirurgia para controle de sangramento, toracotomia e colocação de dois drenos torácicos por hemopneumotórax.

Durante a internação, foram realizados exames de imagem seriados. Os registros apontaram alterações pulmonares pós-traumáticas, pneumotórax, atelectasias, fratura de arco costal esquerdo e presença de projétil na região torácica.

A tomografia e os exames de coluna identificaram lesão medular traumática em nível torácico, com projétil na região entre T5 e T6. A ressonância magnética descreveu alterações pós-traumáticas em D5–D6 e sinal de comprometimento medular entre D4 e D6.

Em outubro de 2010, houve evolução progressiva da condição respiratória e redução do pneumotórax. Deise recebeu alta hospitalar em 9 de outubro de 2010, ainda com um dreno torácico, posteriormente retirado em sua residência. Em janeiro de 2011, a radiografia de tórax não evidenciava lesão pleuropulmonar evolutiva.

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Recuperação sem estimulador epidural

Quais foram as abordagens fisioterapêuticas para a recuperação.

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Fase 2

Como foi conduzida a fisioterapia nos anos seguintes

Após a fase hospitalar, a reabilitação teve como objetivo preservar condições físicas e ampliar a funcionalidade possível em cada período. O programa incluiu mobilidade articular, posicionamento, eletroterapia, fortalecimento muscular, treino de tronco, treinamento de membros superiores, exercícios funcionais, transferências e treino de marcha com órteses longas.

Também houve acompanhamento urogenital em razão da bexiga neurogênica associada à lesão medular. Os exames urodinâmicos realizados em 2011 e 2013 registraram alterações da função vesical que exigiram orientação para cateterismo intermitente, cuidado com a ingestão hídrica e seguimento especializado.

Por aproximadamente 15 anos, não foram observadas contrações musculares voluntárias abaixo do nível da lesão. A sensibilidade permaneceu preservada. A reabilitação, nesse período, foi mantida para cuidar da mobilidade, preservar musculatura, prevenir complicações secundárias e sustentar a participação de Deise em sua rotina.

O que a paciente conseguiu manter antes do estimulador epidural?

Mesmo sem contração voluntária abaixo do nível da lesão, Deise se manteve ativa no processo terapêutico e em sua vida diária. A fisioterapia fez parte de sua rotina ao lado dos afazeres de casa e do cuidado com a filha durante a segunda infância.

Essa continuidade não foi baseada na promessa de recuperação. O objetivo era manter o corpo em condições adequadas para as demandas do presente e para possíveis oportunidades futuras de reabilitação. Mobilidade, alinhamento postural, preservação muscular, força de tronco e funcionalidade de membros superiores foram trabalhados de forma contínua.

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Recuperação com estimulador epidural

Como está sendo a recuperação após a cirurgia de implante do estimulador epidural.

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Fase 3

O que mudou com o implante de estimulador epidural?

Em 2024, Deise realizou o implante de estimulador epidural. A estimulação epidural é uma forma invasiva de neuromodulação, feita por meio de dispositivo implantado e indicada após avaliação médica e multiprofissional individualizada.

Na primeira sessão de configuração, Deise apresentou controle motor voluntário e realizou extensão dos joelhos com independência. O momento foi acompanhado por seu marido. Mesmo observando o movimento, ela inicialmente teve dificuldade em acreditar que estava acontecendo.

Ao retornar para casa, Deise voltou a realizar contrações e movimentos de extensão dos joelhos fora do ambiente terapêutico. Essa experiência reforçou, para a paciente, o significado de todos os anos de cuidado, treinamento e manutenção física.

O que mudou foi a presença de controle motor voluntário para extensão dos joelhos. O que não mudou foi a necessidade de continuidade do processo de reabilitação. O estimulador não substitui fisioterapia, treino funcional, avaliação periódica ou acompanhamento profissional.

Como está a reabilitação atualmente?

Após dois anos de implante, Deise consegue manter a postura em pé por aproximadamente cinco minutos. O trabalho atual inclui controle de tronco, fortalecimento, organização postural, tolerância à posição em pé, treino de transferências e progressão individual do treinamento de marcha.

O objetivo de Deise é continuar ampliando suas possibilidades funcionais e avançar no caminho de retorno à marcha. A evolução segue sendo acompanhada de forma individualizada, sem comparação com outros pacientes e sem expectativa de resultado padronizado.

Acompanhe em vídeos a trajetória de recuperação de Deise com o estimulador epidural. Atente-se nas datas, veja que o processo não é da noite para o dia, nem mesmo milagroso. Leva tempo, dedicação e constância.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de um profissional de saúde habilitado. Cada caso de lesão medular exige exame individual. Nenhuma informação desta página deve ser interpretada como promessa de resultado.

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